Análise de Conjuntura aponta unidade como meio de superar os ataques aos Trabalhaodores

Resistência, unidade da esquerda e construção de um projeto único para enfrentar os ataques, este foi o tom das principais análises de conjuntura realizados durante o debate do segundo dia (7/5) do XXIII Confasubra. Na parte da manhã foram realizadas as reuniões dos grupos políticos que integram a Federação.

“Capacidade para ir além das fronteiras, das picuinhas. Saber que nosso adversário não está neste plenário, não está nas assembleias de base. Está nas federações de indústrias, bancos e querem acabar com os trabalhadores”, afirmou Adalberto Tavares, representante da CTB na abertura da Mesa de Conjuntura. Ele aponta as intervenções americanas e europeias na América Latina, Oriente Médio e África como um tentativa de impedir que estes países sejam soberanos e continuem subservientes politicamente e economicamente.

Valério Arcari, professor do Instituto Federal de São Paulo e membro do PSOL apontou a unidade como solução para enfrentar a conjuntura. “Todas as diferenças entre as teses são pequenas diante do antagonismo com nossos inimigos que são aqueles que criminalizam o PT, que mataram Marielle Franco, que tiraram nossos direitos e que são o poder hegemônico neste país”. Arcari ainda alerta para a importância de informar e formar a classe trabalhadora que acredita nas ideias, concordam com as causas mas não se mobilizam porque não acreditam na vitória.

Bernadete Menezes, Técnica-Administrativa em Educação e integrante da Intersindical, lembrou que o Nazismo começou aos poucos na Alemanha como está acontecendo no Rio de Janeiro. “Começam matando lideranças, como Marielle, impedindo passeatas, atacando movimentos sociais e trabalhadores”, afirmou. Bernadete também avalia que enquanto os capitalistas estavam ganhando muito dinheiro não se importaram com a ascensão dos trabalhadores, porém, após a crise de 2008, iniciou uma disputa do orçamento da União que culminou com o golpe. Como solução, ele aponta a unidade no processo eleitoral, “precisamos de um programa que unifique a Esquerda, que seja alinhado com a necessidade do povo. Precisamos ir para as bases e disputar corações e mentes”.

Beatriz Cerqueira, presidenta da CUT-MG, afirmou que o que está acontecendo é uma ruptura democrática, um novo golpe de estado, só que em vez de usarem tanques, estão utilizando o congresso e o judiciário. “Não foi um ataque contra o PT, o golpe veio para eliminar todos nós que estamos neste Congresso, pois querem eliminar a resistência e este Plenário é uma resistência”. Para Beatriz, o projeto que está em curso no Brasil excluí a Classe Trabalhadora. “Estamos sendo expulsos do estado brasileiro, estão disputando o orçamento como nunca fizeram antes. Colocam contingenciamento (PEC 55), tentam fazer uma reforma da Previdência e revisam todos os benefícios da população mais vulnerável, da população que não tem capacidade de se mobilizar como nós. Eles não estão se importando com a legitimidade, estão se impondo e rasgando a Constituição de 88”.

Com a conjuntura adversa o caminho a seguir para Beatriz é o da unidade. “Não podemos fazer apenas a luta da Categoria, o enfrentamento hoje tem que ser amplo e hoje temos duas frentes importantes, a Brasil Popular e a Povo Sem Medo. É preciso compor frentes maiores que façam lutas gerais, pois no governo de Temer não haverá apenas falta de reajustes, mas demissões, privatizações, terceirizações, e precarização dos serviços públicos”, finalizou.